Deputado cobra explicações sobre R$ 45 milhões destinados aos bombeiros e questiona dispensa de equipes federais durante a crise
O deputado estadual Wilker Barreto (PSD) cobrou, nesta terça-feira (13), explicações do Governo do Amazonas sobre os recursos destinados ao Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e as medidas de combate às queimadas.
Nos dez primeiros dias de outubro, o estado registrou 1.380 focos de incêndio, aumento de 271% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Wilker questionou a aplicação dos R$ 45 milhões destinados pelo Fundo Amazônia ao projeto ProAmazon, voltado ao fortalecimento da estrutura dos bombeiros. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), R$ 34,7 milhões já foram repassados ao estado.
“Foram R$ 45 milhões destinados ao ProAmazon, pelo Fundo Amazônia, e a gente precisa saber onde esse dinheiro foi aplicado. O Amazonas precisa de respostas, porque estamos respirando um ar de péssima qualidade. Todo mundo está passando mal. Imagina os idosos e as crianças!”, afirmou.
O parlamentar também cobrou a convocação dos aprovados no concurso público e criticou a falta de planejamento no enfrentamento aos incêndios.
“A gente vê a falta de planejamento no combate às queimadas no Amazonas. Como é que, numa crise dessas, se dispensam recursos e não se chamam os aprovados no concurso? Os bombeiros estão na linha de frente, tentando combater os incêndios, mas enfrentam um déficit enorme de pessoal”, declarou.
Dispensa de equipes federais
Documentos divulgados pelo portal A Crítica apontam que o Amazonas dispensou equipes federais em duas ocasiões, em setembro.
Na sexta-feira (9), o comandante do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, afirmou à Rede Amazônica (TV Globo) que o Governo Federal negou um pedido de apoio para combater os incêndios.
“Nós já tivemos um retorno negativo, de que não seria possível apoiar. Reforço e apelo mais uma vez: o estado do Amazonas precisa somar esforços com o Governo Federal para fazer um enfrentamento qualificado”, disse.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima contestou a declaração e informou que o estado havia solicitado reforço federal em setembro, mas desistiu após as chuvas contribuírem para reduzir os focos de incêndio.
Emergência e qualidade do ar
No sábado (10), o governo federal reconheceu a situação de emergência decretada pelo Amazonas em 36 municípios. Segundo o ministro Waldez Góes, a resposta inclui tanto o combate às chamas quanto a assistência às pessoas afetadas.
“Uma coisa é enfrentar em todas as frentes e empregar toda a força que puder, Governo Federal junto com o Estado e municípios, para apagar o fogo. A outra é assistir pessoas que já estão, de alguma forma, precisando de ajuda humanitária, de assistência médica como resultado do incêndio”, afirmou. Equipes da Força Nacional do SUS já atuam no estado.
Em Manaus, a qualidade do ar continuou entre as piores do país nesta terça-feira (13), segundo a plataforma IQAir. Às 5h30, o índice era 92, considerado moderado, mas a concentração de partículas finas PM2.5 estava 6,3 vezes acima da referência anual da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Informações para a imprensa
Foto: Lucas Alves | Ascom Wilker Barreto
Jornalista responsável
Leonardo Matheus
