Parlamentar relata conversa com a direção do 28 de Agosto sobre a alocação de profissionais na UTI e alerta que a falta de exigência de especialização pode gerar riscos como o do caso Benício
O deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) usou a tribuna do Legislativo nesta segunda-feira, 1, para comentar o caso da morte do menino Benício, de 6 anos, que recebeu dosagem incorreta de adrenalina durante atendimento médico em Manaus. Para o parlamentar, a tragédia evidencia a importância da experiência profissional em situações de emergência e serve como alerta para decisões adotadas por Organizações Sociais de Saúde (OSS) na rede estadual.
Wilker abriu seu discurso destacando o impacto humano e técnico do episódio, afirmando que o erro já apontado nas investigações está associado à falta de experiência. Ele ressaltou que o ocorrido precisa provocar reflexão sobre práticas de gestão e critérios de trabalho dentro das unidades públicas.
“É impossível não se sensibilizar pelo fato que ocorreu dessa tragédia que poderia ter sido evitada na morte do Benício. É inimaginável, qualquer um, um pai ou mãe, se colocar no lugar daqueles pais. Já ficou comprovado todo um erro de procedimento associado claramente à falta de experiência. E por que que estou abordando esse tema? Primeiramente, para ser solidário com aquela família. É inimaginável o que estão passando os pais. Uma criança que entrou com uma doença simplória de se cuidar e se transformou numa tragédia”, lamentou.
Alerta em unidades estaduais
O deputado explicou que, há cerca de um mês, realizou fiscalização no Hospital 28 de Agosto, administrado por uma OSS, e que naquela ocasião ouviu da direção clínica que a lei não exige especialização específica para atuação na UTI, bastando que o profissional possua CRM e que haja um coordenador habilitado. Ele afirmou que essa informação o preocupa, pois envolve setores onde decisões rápidas podem definir o desfecho de um atendimento.
“E eu quero fazer aqui uma correlação do que pode e precisa ser um alerta. Eu estive há quase 1 mês fiscalizando o 28 de Agosto, administrado por uma OSS. Eu vou passar um vídeo aqui que mostra que isso está ocorrendo neste exato momento nas unidades, em especial dessa OSS Agir. Antes de passar o vídeo eu preciso explicá-lo: ao questionar o diretor clínico e eu já tinha essa informação, vocês sabem o que as OSS estão fazendo? Estão tirando os médicos experientes da UTI, porque obviamente a experiência tem um preço, a especialização, o mestrado, o doutorado, isso é um preço”, afirmou.
Critérios de custos em detrimento da vida
O parlamentar destacou que essa realidade exige reflexão sobre os critérios usados para alocação de equipes, especialmente em ambientes que lidam diariamente com situações de risco extremo.
“O que eu quero deixar aqui para a sociedade amazonense é uma reflexão: será que na UTI do 28 de Agosto pelo menos os médicos tinham que ter especialização. A lei não proíbe, se você tem um CRM você é médico. Mas aí eu pergunto: será que naquele momento crucial em que 1 minuto é a decisão entre a vida e a morte a experiência não precisa ser levada em consideração? Sabe qual é o pré-requisito hoje das OSS? O custo, não é a vida.”
Wilker relatou que o vídeo mencionado em seu discurso foi gravado nesta segunda-feira (04/11), durante uma fiscalização no Complexo Hospitalar Sul, que inclui o Hospital 28 de Agosto e o Instituto da Mulher Dona Lindu. Segundo ele, a visita acabou se transformando em uma reunião com a empresa gestora e representantes da Secretaria de Estado de Saúde, onde foram discutidos pontos contratuais que, na sua avaliação, exigem maior controle, transparência e revisão urgente.
Cobrança
Em seu encerramento, Wilker informou que buscará providências institucionais, acionando os órgãos competentes para que acompanhem o caso e esclareçam os critérios adotados pelas OSS.
“Eu estou formalmente encaminhado à Comissão de Saúde desta Casa, precisamos trazer aqui o responsável técnico dessa OSS. Estou comunicando ao Ministério Público nas suas promotorias que cuidam dos serviços e dos contratos, porque a fala é estarrecedora”, finalizou.
Confira o vídeo completo: https://drive.google.com/drive/folders/1IelAxYogbdUtM5YBzeIsD4vzHLyn7aGh?usp=sharing
Informações para a imprensa:
Foto por Daniel Santos
Jornalista responsável:
Beatriz Souza (DRT/AM 2185)
